A Comissão do impeachment no
Senado deu início, na manhã desta terça-feira, à sessão para eleger o
presidente e o relator do colegiado. Após mais de duas horas de discussão, os
senadores confirmaram a indicação do tucano Antonio Anastasia (MG) como relator
do processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff na Casa, enquanto
Raimundo Lira (PMDB-PB) foi eleito, por aclamação, presidente da comissão
especial.
O mineiro foi indicado pelo
bloco de Oposição, segundo maior bloco partidário do Senado, mas sofreu
resistência dos governistas, que questionaram sua isenção, uma que já se
manifestou publicamente favorável ao impeachment. Desde segunda-feira,
senadores da base fizeram questões de ordem pedindo a substituição de
Anastasia. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), lavou as mãos e
deixou a decisão para a comissão especial.
Ao chegar à reunião, Lira
confirmou que não havia "espaço" para discutir o nome do relator. Ele
deu parecer contrário aos questionamentos levantados pelos governistas, mas
permitiu que os demais senadores do colegiado votassem a decisão. Em clara
minoria na comissão, os governistas foram derrotados. Apenas os quatro senadores
do PT e a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) votaram contra a indicação de
Anastasia.
Para o líder do governo,
Humberto Costa (PT-PE), a "comissão começou mal".
— Não seria adequado termos
um relator do PSDB, que patrocina essa causa — disse o petista, sobre a
possibilidade de afastamento da presidente Dilma Rousseff. — Não é nada
pessoal, temos respeito pelo senador Anastasia, mas ele não é o único senador
capaz.
— Estão colocando sob
suspeição o nome de Anastasia somente por ele ser do PSDB, sendo que o
beneficiário direto do impeachment é o PMDB. Ou seja, é implicância pura —
acusou o senador Zezé Perrella (PTB-MG).
Já o senador Cristovam
Buarque (PPS-DF) defendeu suposta imparcialidade do relator e sua capacidade de
mudar de posição.
— Não vejo o menor problema
em ter Anastasia como relator. Ele pode vir com uma posição e, ao ouvir
situação, oposição e defesa, se convencer de outra — argumentou.
Diferentemente de outras
reuniões do Senado, a primeira audiência do impeachment começou com ânimos
acirrados. Nervosos, os senadores tiveram dificuldade de respeitar a fala uns
dos outros. A discussão quanto à indicação de Anastasia se prolongou e muitos
senadores pediram a palavra. Não havia, entretanto, qualquer interesse de
reverter a situação por parte dos demais senadores.
Tema do debate, o senador
Anastasia manteve a discrição e foi um dos poucos senadores a se manter em
silêncio.
Lira:
um nome de consenso entre governo e oposição
Sem outros nomes indicados
para o cargo, Raimundo Lira (PMDB-PB) foi eleito por aclamação, nesta
terça-feira, presidente da Comissão Especial do Impeachment do Senado. Ao
chegar para a sessão, Lira afirmou que o colegiado funcionará todos os dias e
haverá espaço para a defesa da presidente Dilma Rousseff. Segundo o
peemedebista, a votação na comissão pode ser adiantada para o dia 6 de maio — a
previsão anterior era dia 9.
Lira é um nome de consenso
entre governo e oposição para comandar o colegiado. Ele já havia se declarado
favorável ao afastamento da presidente Dilma no Placar do Impeachment do jornal
Estadão. Ao ser indicado para a presidência da comissão, entretanto, ele pediu
para mudar seu status para "indeciso". O peemedebista afirmou que
fará uma média entre dias úteis e corridos para contar os prazos da comissão.
Calendário
A comissão aprovou o
calendário apresentado pelo relator, senador Antonio Anastasia. Na
quinta-feira, será ouvida a acusação. Na sexta-feira, ouve-se a defesa da
presidente. A apresentação do relatório ficou marcada para o dia 4 de maio. A
votação do texto ocorrerá em 6 de maio.
Fonte:
Zero Hora

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